{"id":490,"date":"2012-11-09T12:40:36","date_gmt":"2012-11-09T12:40:36","guid":{"rendered":"http:\/\/apoiar-stressdeguerra.com\/pt\/?p=490"},"modified":"2017-03-14T12:44:53","modified_gmt":"2017-03-14T12:44:53","slug":"o-stress-do-processo-ja-se-sobrepoe-ao-stress-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/apoiar-stressdeguerra.com\/pt\/2012\/11\/09\/o-stress-do-processo-ja-se-sobrepoe-ao-stress-de-guerra\/","title":{"rendered":"\u201cO stress do processo j\u00e1 se sobrep\u00f5e ao stress de guerra\u201d"},"content":{"rendered":"<h4>Por: Jo\u00e3o Sobral *<\/h4>\n<div>\n<h4><span style=\"font-size: medium;\">Interven\u00e7\u00e3o do Presidente da Dire\u00e7\u00e3o da APOIAR, Jo\u00e3o Sobral, acerca das, \u201cRespostas Legais: Tramita\u00e7\u00e3o do \u00a0<\/span><span style=\"font-size: medium;\">Processo de Qualifica\u00e7\u00e3o como DFA por Stress de Guerra\u201d no semin\u00e1rio internacional de reflex\u00e3o sobre os dez anos da Rede Nacional de Apoio \u00e0s V\u00edtimas de Stress de Guerra, realizado na sede da ADFA, dias 27 e 28 de setembro de 2012<\/span><\/h4>\n<div><span style=\"font-size: small;\">(Publicado originalmente no <a href=\"https:\/\/sites.google.com\/site\/jornalapoiar\/arquivo\/APOIAR77.pdf?attredirects=0\" target=\"_blank\">Jornal Apoiar n\u00ba 77<\/a>)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/sites.google.com\/site\/apoiarstress\/_\/rsrc\/1429699393788\/noticias-e-eventos-1\/ostressdoprocessojasesobrepoeaostressdeguerra\/js.JPG?height=320&amp;width=316\" width=\"316\" height=\"320\" border=\"0\" \/><\/p>\n<div>\n<p>A APOIAR agradece o convite que nos foi endere\u00e7ado pela ADFA para participar neste semin\u00e1rio internacional &#8221;Reflex\u00e3o sobre uma d\u00e9cada de funcionamento da Rede Nacional de Apoio. Muito obrigado a todos aqueles que me antecederam. Pelas suas interven\u00e7\u00f5es neste semin\u00e1rio, pela boa f\u00e9 que manifestaram e pelo desejo comum de encontrar solu\u00e7\u00f5es e compromissos positivos.<\/p>\n<p><b>Quero agradecer a todos aqueles que individualmente ou em equipa t\u00eam dedicado o seu tempo e a sua vida profissional na investiga\u00e7\u00e3o e tratamento do stress p\u00f3s traum\u00e1tico de guerra &#8211; PPST &#8211; em Portugal nos \u00faltimos 40 anos .<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 gra\u00e7as aos seus esfor\u00e7os e dedica\u00e7\u00e3o que alguns ex-combatentes com o diagn\u00f3stico de stress de guerra, hoje conseguem alguma qualidade de vida, na qual eu me incluo.<\/p>\n<p>Obrigado em nome de todos os doentes com PPST, pela vossa dedica\u00e7\u00e3o. Nos hospitais, nos centros de sa\u00fade , nas associa\u00e7\u00f5es e nas universidades. As, associa\u00e7\u00f5es onde o acompanhamento direto, clinico, psicol\u00f3gico e social, se faz com os recursos dispon\u00edveis, que como se sabe s\u00e3o escassos, mas a sua aplica\u00e7\u00e3o tem sido de um modo geral funcional e positiva.<\/p>\n<p>Vou situar a minha interven\u00e7\u00e3o na tramita\u00e7\u00e3o dos processos para classifica\u00e7\u00e3o como DFA dos ex-combatentes doentes com PPST stress p\u00f3s traum\u00e1tico de guerra e tentar refletir sobre o que \u00e9 ser candidato a DFA tal como tem sido at\u00e9 agora, passada mais do que uma d\u00e9cada da implementa\u00e7\u00e3o deste sistema de avalia\u00e7\u00e3o em Portugal.<\/p>\n<p>Ser DFA s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se, ao doente, depois de uma longa avalia\u00e7\u00e3o clinica, psiqui\u00e1trica, psicol\u00f3gica e social, lhe for atribu\u00eddo 30% de desvaloriza\u00e7\u00e3o na junta m\u00e9dica militar. A tramita\u00e7\u00e3o processual inicia-se nos centros de sa\u00fade, nas ONG como APOIAR, nos servi\u00e7os de psiquiatria hospitalar do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade.<\/p>\n<p><b>A introdu\u00e7\u00e3o desta percentagem (30%) numa doen\u00e7a mental cr\u00f3nica, evolutiva e incapacitante (reconhecida como tal por toda a comunidade cientifica, e j\u00e1 reconhecida aqui neste semin\u00e1rio) torna esta avalia\u00e7\u00e3o \u00e0 partida dependente de uma tabela incapacidades, da avalia\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o clinica do Hospital Militar Principal confirmada na junta m\u00e9dica militar. <\/b><\/p>\n<p>Estamos a falar de uma doen\u00e7a cr\u00f3nica, evolutiva e incapacitante. Reconhecida pela OMS e aprovada no parlamento portugu\u00eas por uma lei do estado, desde 1976 (lei 43\/76 e 46\/99). \u00c9 um assunto que se arrasta no tempo sem que se tenha verificado at\u00e9 \u00e0 presente data uma efetiva resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Verificamos que os longos anos de demora na elabora\u00e7\u00e3o dos processos e qualifica\u00e7\u00e3o como &#8221;DFA&#8217; \u00e9 absolutamente insustent\u00e1vel e censur\u00e1vel. Num inqu\u00e9rito que a APOIAR realizou recentemente a n\u00edvel nacional, 100% dos inquiridos n\u00e3o aceitam e n\u00e3o compreendem a demora na resolu\u00e7\u00e3o dos problemas, tal como est\u00e3o, dos ex-combatentes doentes com PPST.<\/p>\n<p>Pessoalmente sinto revolta e tenho vergonha de mim, por ser como sou e aceitar esta situa\u00e7\u00e3o. Tenho vergonha e sinto-me revoltado pela minha passividade at\u00e9 hoje, em ouvir tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade para reconhecer um erro, a tanta relut\u00e2ncia em esquecer a antiga posi\u00e7\u00e3o, voltar atr\u00e1s e mudar o futuro.<\/p>\n<p><b>Fa\u00e7o parte de uma gera\u00e7\u00e3o que durante 14 anos, lutou, morreu e regressou doente de um percurso que era j\u00e1 ali. Eram apenas alguns meses, dois, tr\u00eas anos&#8230; Para alguns foi f\u00e1cil, para outros dif\u00edcil mas foi horrendo e definitivamente marcante para quem regressou doente. Doen\u00e7as do foro mental ou f\u00edsico, adquiridas ao servi\u00e7o de Portugal.\u00a0Por aquilo que pass\u00e1mos, nos diferentes cen\u00e1rios de guerra, ao longo de 14 anos, fomos tocados por uma doen\u00e7a que n\u00e3o pediu licen\u00e7a para entrar. Instalou\u2013se e ficou para sempre.\u00a0<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 uma doen\u00e7a cr\u00f3nica, progressiva e incapacitante, onde n\u00e3o h\u00e1 pr\u00f3teses para a mente. N\u00e3o sou eu que o digo! \u00c9 a classe m\u00e9dica e cientifica mundial. Uma doen\u00e7a adquirida ao servi\u00e7o do pa\u00eds.\u00a0N\u00f3s, os doentes com PPST tamb\u00e9m tir\u00e1mos os nossos cursos, iniciamos as nossas profiss\u00f5es, constitu\u00edmos fam\u00edlia, temos filhos, tamb\u00e9m somos av\u00f4s, s\u00f3 que estamos a pagar um pre\u00e7o diferente no dia a dia nestes \u00faltimos 50 anos e vai ser assim at\u00e9 ao final das nossas vidas.<\/p>\n<p>O curso e as profiss\u00f5es existem mas n\u00e3o conseguimos rentabiliz\u00e1-las. N\u00e3o por incompet\u00eancia mas por incapacidade provocada pela doen\u00e7a. A rentabilidade ficou no princ\u00edpio da vida profissional, n\u00e3o porque n\u00e3o quis\u00e9ssemos mas por incapacidade motivada por uma doen\u00e7a que desconhec\u00edamos que t\u00ednhamos at\u00e9 \u00e0 sua descoberta nos finais dos anos 80, inicio dos anos 90 do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia, ou foi destru\u00edda, ou vive doente. O caminho da felicidade n\u00e3o existe. &#8221;Isso foi antes de estarmos doentes&#8221;. A vida de cada um est\u00e1 espelhada naquilo que hoje temos: &#8221;nada&#8221;. Para alguns nem fam\u00edlia, nem percurso profissional, nem capacidade financeira, nem amigos, resumindo: &#8221;nada&#8221;. E quem nada tem, nada perde&#8221;!!! Da\u00ed o caso mais medi\u00e1tico em Beja e outros que todos os dias v\u00e3o surgindo.<\/p>\n<p>Mas temos: um percurso de doen\u00e7a cr\u00f3nica com flashbacks , muitas noites sem dormir, pesadelos, solid\u00e3o, fobias, depress\u00f5es, internamentos, avalia\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas e psiqui\u00e1tricas, avalia\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas, toneladas de medicamentos, exames de rotina, viol\u00eancia, espancamentos, pris\u00f5es, \u00e1lcool e idas \u00e0 urg\u00eancia onde ningu\u00e9m percebe o que se passa. Para al\u00e9m de outros diagn\u00f3sticos que nos v\u00e3o dizendo ter origem no PPST.<\/p>\n<p>&#8221;Os horrores da guerra&#8221; e a doen\u00e7a adquirida, n\u00e3o se medem na CPIP DSAJ, DEJUR ou outro qualquer departamento da estrutura militar no processo de avalia\u00e7\u00e3o. Trocaria sem hesitar com quem me avalia.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do nexo de causalidade \u00e9 necess\u00e1ria? \u00c9, desde que seja definido por quem est\u00e1 habilitado a faz\u00ea-lo. S\u00f3 os m\u00e9dicos, s\u00f3 t\u00e9cnicos de sa\u00fade mental t\u00eam essa compet\u00eancia e t\u00eam conhecimento cientifico para o fazer. Estamos a falar de uma doen\u00e7a mental com influ\u00eancia brutal no sistema nervoso. N\u00e3o estamos a falar de guerra. A guerra foi o meio que provocou a doen\u00e7a e n\u00e3o pode ser o violador a avaliar a vitima. Sem nexo de causalidade n\u00e3o pode haver diagn\u00f3stico. Sem nexo de causalidade nenhum processo pode passar da fase inicial do modelos 1 e 2 .<\/p>\n<p><b>Respeite-se ent\u00e3o os t\u00e9cnicos de sa\u00fade mental. Os m\u00e9dicos de sa\u00fade familiar e clinica geral, psiquiatras, psic\u00f3logos cl\u00ednicos, assistentes sociais, as hist\u00f3rias cl\u00ednicas, as dezenas de avalia\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas, avalia\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas, sociais, familiares e os percursos de trabalho interrompido por doen\u00e7a.<br \/>\n<\/b><br \/>\nO IRS \u00e9 um documento importante na vida dos portugueses que pode ser utilizado como prova da capacidade financeira do requerente quando este solicita apoio financeiro do estado. At\u00e9 hoje n\u00e3o foi utilizado.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 nos homens doentes e fam\u00edlias que penso neste momento. Podendo dizer com toda a frontalidade que a regra de ouro de qualquer contrato m\u00e9dico\/social \u00e9 a defesa dos mais desfavorecidos. \u00c9 o compromisso que existe entre o Estado Portugu\u00eas e as associa\u00e7\u00f5es como a APOIAR, A ADFA e outras que prestam servi\u00e7os sociais e de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Estas devem tornar este processo limpo, sem interesses escondidos. Quem tem direito a ser apoiado deve s\u00ea-lo sem rodeios, dentro daquilo que tem direito por lei. Ao Estado cabe-lhe fiscalizar, cumprir e fazer cumprir a Lei.<\/p>\n<p>Acredito que vamos encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para terminar com a injusti\u00e7a instalada na tramita\u00e7\u00e3o dos processos para qualifica\u00e7\u00e3o como DFA por PPST.<\/p>\n<p><b>As palavras infelizmente n\u00e3o mudam a realidade. Mas as palavras ajudam-nos a pensar, a tomar consci\u00eancia e a consci\u00eancia essa sim pode ajudar a mudar a realidade. Foi criado um Labirinto em volta dos processos que n\u00e3o serve quem est\u00e1 doente e os sintomas da doen\u00e7a n\u00e3o est\u00e3o a ser pe\u00e7a importante e decisiva na avalia\u00e7\u00e3o final.\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Temos ex-combatentes doentes com PPST que vivem situa\u00e7\u00f5es de dificuldade e de pobreza que necessitam com urg\u00eancia de apoio do Estado Portugu\u00eas. Estes n\u00e3o podem ser reconhecidos por lei como vitimas da guerra e ao mesmo tempo o inimigo e o alvo abater.<\/p>\n<p>Podia dar v\u00e1rios exemplos individuais de neglig\u00eancia e arrog\u00e2ncia de alguns avaliadores mas prefiro n\u00e3o o fazer. Digo apenas que dos poss\u00edveis 55.000 homens com a doen\u00e7a cr\u00f3nica de stress de guerra (bem divulgado por todo o pa\u00eds), acredito que n\u00e3o sinalizamos mais de 20.000. No entanto s\u00f3 cerca de 2.000 ex-combatentes com PPST est\u00e3o sinalizados como m\u00e1ximo. Podem ser apenas 400 ou 500?<\/p>\n<p>Fala-se normalmente de 1 milh\u00e3o de ex-combatentes mas esses s\u00e3o os que estiveram em \u00c1frica, n\u00e3o os que regressaram doentes com PPST. A realidade \u00e9 bem diferente. Estes n\u00fameros globais -1 milh\u00e3o &#8211; servem para baralhar e enganar a popula\u00e7\u00e3o em geral e os menos informados .\u00a0A realidade \u00e9 que em Portugal, esta rela\u00e7\u00e3o guerra\/doen\u00e7a adquirida, e a justa reposi\u00e7\u00e3o da capacidade de ganho perdido, est\u00e3o como est\u00e3o desde a 1\u00aa Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que devia ter sido feito, foi criado um ciclo de pobreza e doen\u00e7a a que chamamos labirinto que impede que o sistema funcione onde o avaliador \u00e9 Rei e Senhor de um processo que n\u00e3o lhe pertence e que n\u00e3o tem prazo para terminar. N\u00f3s os doentes, n\u00e3o podemos ser hoje, em 2012, o inimigo abater.<\/p>\n<p>O nosso pa\u00eds conseguiu no 25 Abril de 74, dar um passo para terminar uma guerra que findou em Outubro de 1975. Bem ou mal este ciclo fechou-se, mas os mutilados da guerra ficaram. Ficaram os mutilados f\u00edsicos e os mentais e, embora com uma legisla\u00e7\u00e3o id\u00eantica, Lei 43\/76, s\u00e3o doentes completamente diferentes e n\u00e3o podem ou n\u00e3o deviam estar a ser avaliados da mesma forma nem pelos mesmos par\u00e2metros.<\/p>\n<p>D\u00e1-nos a sensa\u00e7\u00e3o que estamos a lidar com gente insens\u00edvel ao problema e muitos por pura ignor\u00e2ncia. Simplesmente desconhecem ou n\u00e3o querem saber. Guerra de guerrilha ou guerra civil, isso n\u00e3o existiu. Tiros, morteiradas, roquetadas, confus\u00e3o e mortes, n\u00e3o existiu. Centenas e centenas de mortes, valas comuns, mortes de inocentes, homens, mulheres, crian\u00e7as e de camaradas, n\u00e3o existiu. Desconhecem!!<\/p>\n<p>Desconhecem mas perdem uma oportunidade! Uma oportunidade pol\u00edtica \u00fanica! Que \u00e9 a seguinte: onde nada est\u00e1 feito \u00e9 o momento de fazer alguma coisa de positivo. Marcar a diferen\u00e7a de quem nada fez, ou fez que fez e nada fez.<\/p>\n<p>Precisamos de mudan\u00e7a na forma de avalia\u00e7\u00e3o dos processos para DFA por PPST. N\u00e3o podemos ficar \u00e0 espera que as coisas se resolvam desta maneira, confusa e antidemocr\u00e1tica. Precisamos de uma ideia nova que nos traga a mudan\u00e7a deste labirinto. Precisamos de alternativas e h\u00e1 sempre alternativas desde que queiramos encarar os problemas e haja vontade politica para o fazer. Hoje, pode ser o momento da viragem.<\/p>\n<p>A APOIAR j\u00e1 apresentou, nos locais certos, algumas alternativas que, sem mexer na legisla\u00e7\u00e3o, podiam encurtar o per\u00edodo de avalia\u00e7\u00e3o. At\u00e9 hoje n\u00e3o tivemos nenhuma resposta destas institui\u00e7\u00f5es. Apresent\u00e1mos a situa\u00e7\u00e3o da Tramita\u00e7\u00e3o dos Processos e da situa\u00e7\u00e3o em geral junto do Provedor de Justi\u00e7a que, ap\u00f3s avalia\u00e7\u00e3o e exposi\u00e7\u00e3o dos nossos problemas junto do MDN nos informou da resposta do Minist\u00e9rio na integra mas que n\u00e3o vou reproduzir.\u00a0A resposta do Provedor refere que a an\u00e1lise do MDN se limita a identificar aquilo que todos j\u00e1 conhecemos, referindo no final uma nova metodologia (que ainda desconhecemos) cujo resultado n\u00e3o se fez sentir at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><b>Em resposta a esta informa\u00e7\u00e3o do, o Provedor tirou a seguinte conclus\u00e3o :<\/b><\/p>\n<p>&#8221;Embora o diagn\u00f3stico da origem do problema de tais atrasos esteja corretamente efetuado, n\u00e3o \u00e9 indicada qualquer medida concreta que permita concluir que os atuais cerca de 1000 processos que aguardam an\u00e1lise e decis\u00e3o no DSAJ e os 462 processos pendentes na CPIP, ir\u00e3o ser decididos em tempo \u00fatil e razo\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p><b>Reconhece, portanto, o Provedor de Justi\u00e7a que o sistema n\u00e3o funciona nem vai funcionar continuando como est\u00e1.<\/b><\/p>\n<p>Tendo como exemplo o atr\u00e1s descrito, digo eu como Presidente da Dire\u00e7\u00e3o da APOIAR, e como j\u00e1 referi anteriormente, as palavras infelizmente n\u00e3o mudam a realidade. Mas as palavras ajudam-nos a pensar e a tomar consci\u00eancia, consci\u00eancia essa, sim, pode ajudar a mudar a realidade.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio sinalizar os casos urgentes que est\u00e3o no sistema e resolv\u00ea-los antes que os interessados morram. O nosso futuro \u00e9 j\u00e1 muito curto a m\u00e9dia idades ronda os 70 anos.<\/p>\n<p>Est\u00e1 perfeitamente identificada toda a problem\u00e1tica que envolve a tramita\u00e7\u00e3o dos Processos como DFA por PPST. Os estudos realizados nos Estados Unidos, Inglaterra, Israel e Portugal sobre este doen\u00e7a, obrigam-nos a exigir transpar\u00eancia na avalia\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os militares, m\u00e9dicos, psiqui\u00e1tricos, psicol\u00f3gicos e sociais<\/p>\n<p>Sem nexo de causalidade n\u00e3o pode haver diagn\u00f3stico. Isto \u00e9 ponto assente em todo o mundo menos em Portugal. O diagn\u00f3stico n\u00e3o pode ser colocado em causa por um processo burocr\u00e1tico jur\u00eddico que nada tem que ver com o momento do trauma. A percentagem de ex-combatentes doentes em Portugal \u00e9 insignificante em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de mobilizados e participantes no teatro de guerra em \u00c1frica ( cerca de 0,002%). Nunca por nunca o PPST, stress de guerra, pode ser confundido com a generalidade dos ex-combatentes.<\/p>\n<p>Depois desta an\u00e1lise, desta sum\u00e1ria avalia\u00e7\u00e3o podemos dizer o seguinte: o futuro para os ex-combatentes doentes e seus familiares \u00e9 j\u00e1 muito curto.<\/p>\n<p>Temos uma idade m\u00e9dia de perto do 70 anos. Mais 10 anos e o futuro para muitos j\u00e1 terminou, porque v\u00e3o morrer. \u00c9 preciso reter estes n\u00fameros e dizer com clareza o que deve ser feito para organizar o conhecimento desta realidade e resolv\u00ea-lo em tempo \u00fatil com dignidade entre todas as partes.<\/p>\n<p>A liberdade de viver e n\u00e3o de sobreviver s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando se d\u00e1 \u00e0s pessoas a sua irrevers\u00edvel dignidade pessoal. \u00c9 preciso separar o acess\u00f3rio do fundamental utilizando uma forma simples de controle.<\/p>\n<p>O Estado Portugu\u00eas, as Associa\u00e7\u00f5es, os Hospitais, os T\u00e9cnicos de Sa\u00fade Mental e a investiga\u00e7\u00e3o nas Universidades reconhecem a doen\u00e7a PPST. O Estado investe dinheiro dos contribuintes, faz protocolos com as Associa\u00e7\u00f5es, reconhece a doen\u00e7a e os t\u00e9cnicos. Todo este envolvimento existe de forma exemplar. Mas \u00e9 necess\u00e1rio e urgente a conclus\u00e3o dos processos que t\u00eam entre 10 a 14 anos. Esta conclus\u00e3o deve ser realizada de imediato. Ontem se poss\u00edvel!<\/p>\n<p>Os novos processos e a sua decis\u00e3o devem terminar em tempo \u00fatil. O Minist\u00e9rio da Defesa Nacional e o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade devem organizar, em colabora\u00e7\u00e3o com as Associa\u00e7\u00f5es e Hospitais, mais forma\u00e7\u00e3o para os T\u00e9cnico de Sa\u00fade Mental, mais fiscaliza\u00e7\u00e3o eficaz e menos \u201cdeixa andar at\u00e9 morrer\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos ser ing\u00e9nuos, n\u00e3o podemos enunciar a reivindica\u00e7\u00e3o de um processo necess\u00e1rio para reparar o que de mal est\u00e1 feito se n\u00e3o tivermos a certeza que o mesmo \u00e9 vi\u00e1vel de resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os 30% de incapacidade n\u00e3o podem continuar a ser atribu\u00eddos como medalha de m\u00e9rito de guerra para um subs\u00eddio que se d\u00e1 entre amigos deixando de fora os doentes. Ou os pol\u00edticos t\u00eam coragem para modificar o que est\u00e1 errado ou ningu\u00e9m nos vai salvar porque moribundos j\u00e1 estamos. Enquanto seres humanos ainda vivos, pior n\u00e3o pod\u00edamos estar.<\/p>\n<p>N\u00f3s, os doentes, n\u00e3o nos podemos iludir, ou nos salvamos, ou ningu\u00e9m nos salva. Somos doentes com PPST, adquirida ao servi\u00e7o de Portugal. N\u00e3o fizemos um contrato de trabalho com o Estado Portugu\u00eas, nem pertencemos aos quadros do Minist\u00e9rio da Defesa Nacional. Somos civis, que foram incorporados no servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio para lutar por Portugal de onde uma percentagem regressou doente para a vida civil.<\/p>\n<p>Quem pensou este modelo de avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o colocou a exist\u00eancia de uma &#8221;comina\u00e7\u00e3o&#8221;. Tempo limite de feitura dos processos em cada passagem nos diferentes departamentos. O legislador tem obriga\u00e7\u00e3o de saber isto, mas n\u00e3o o fez. Desta forma seriam de imediato evitados os abusos de poder e reposta a legalidade em tempo \u00fatil sem preju\u00edzo para o utente e o Estado Portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Os doentes com PPST n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o, nem idade, nem sa\u00fade para esperar sem limite de tempo. Temos uma idade m\u00e9dia de 70 anos e at\u00e9 hoje foi feito muito pouco do muito que h\u00e1 para fazer. Existe o conhecimento do que est\u00e1 errado. Urge resolver esta situa\u00e7\u00e3o. As dificuldades atuais existentes no Pa\u00eds, n\u00e3o nos dizem nada, porque j\u00e1 estamos em crise h\u00e1 40\/50 anos. Hoje \u00e9 o dia para iniciar o que falta fazer.<\/p>\n<p><b>A pergunta que se imp\u00f5e neste momento \u00e9 a seguinte, resumida em cinco pontos:<\/b><\/p>\n<p>1. Hospital Militar Principal. 98% das avalia\u00e7\u00f5es s\u00e3o entre 0 e 10%. Porqu\u00ea? Se os ex-combatentes foram sinalizados pelos t\u00e9cnicos de sa\u00fade mental como doentes com Stress de Guerra<\/p>\n<p>2. A Estrutura Militar do Ex\u00e9rcito n\u00e3o est\u00e1 preparada para dar resposta \u00e0s tarefas atribu\u00eddas<\/p>\n<p>3. Toda a estrutura jur\u00eddica est\u00e1 fora da realidade<\/p>\n<p>4. A avalia\u00e7\u00e3o final na Caixa Geral de Aposenta\u00e7\u00f5es est\u00e1 desajustada e penaliza o requerente.<\/p>\n<p>5. O poder pol\u00edtico tem mostrado incapacidade e conhecimento m\u00ednimo para resolver o assunto<\/p>\n<p>A quem interessa esta situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><b>Se o objetivo era apoiar e repor a capacidade de ganho perdida m motivado pela doen\u00e7a, a ex-combatentes com stress de guerra, o objetivo at\u00e9 hoje falhou totalmente. Repito: a quem interessa esta situa\u00e7\u00e3o tal como est\u00e1? Estamos cansados de ouvir e dar explica\u00e7\u00f5es sobre a doen\u00e7a. Precisamos da resolu\u00e7\u00e3o, solu\u00e7\u00e3o eficaz e r\u00e1pida. Esta s\u00f3 pode ser politica.\u00a0<\/b><\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o, (tal como est\u00e1 at\u00e9 hoje este processo avalia\u00e7\u00e3o) s\u00f3 pode ser pol\u00edtica, utilizando um modelo simples, r\u00e1pido mas eficaz.<\/p>\n<p>Da nossa parte, APOIAR, fizemos o nosso trabalho, a ADFA e Federa\u00e7\u00e3o est\u00e3o a faz\u00ea-lo, damos solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis.<\/p>\n<p>Estamos dispon\u00edveis para o di\u00e1logo, desejamos que o poder pol\u00edtico d\u00ea a resposta correta e que a realidade n\u00e3o lhes passe mais uma vez ao lado.<\/p>\n<p>A todos, muito obrigado.<\/p>\n<div style=\"text-align: right;\"><b>* Presidente da Dire\u00e7\u00e3o da APOIAR\u00a0<\/b><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Jo\u00e3o Sobral * Interven\u00e7\u00e3o do Presidente da Dire\u00e7\u00e3o da APOIAR, Jo\u00e3o Sobral, acerca das, \u201cRespostas Legais: Tramita\u00e7\u00e3o do \u00a0Processo de Qualifica\u00e7\u00e3o como DFA por Stress de 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